O mito do come menos e queima mais

30-10-2016

Como Personal Trainer, sou procurado por pessoas que querem, principalmente, perder massa gorda. Os homens, por norma, querem perder barriga, as mulheres reduzir o volume das coxas e rabo. É um lugar comum porque o excesso de peso e a obesidade continuam em expansão e o que habitualmente se recomenda para combater esse problema é: "comer menos e gastar mais", e eu entro, supostamente, na parte do "gastar mais".

Mas será que esta é a formula para o controlo da obesidade?

Infelizmente NÃO. A recomendação "comer menos e fazer mais exercício" para emagrecer é falsa.

Sendo eu um Personal Trainer, isto parece um tiro no pé, mas não é possível continuar a iludir clientes e a defraudar expectativas com solução falaciosas e metodologias que apenas comprometem o bom nome da classe porque ninguém conseguirá perder massa gorda apenas com exercício físico. É importante que esta ideia fique bem clara.

Então se o exercício, por si só, não é suficiente já se adivinha que a alimentação tem um papel crucial neste capítulo. Todavia, se fazer mais exercício para emagrecer é falso, como já referi, o comer menos também o é. A mera restrição calórica, não é eficaz para que consigamos perder massa gorda de forma sustentável.

Vamos fazer um exercício:

Por experiência própria ou pelas pessoas que conheces, tenta lembrar-te de alguém que perdeu massa gorda APENAS com o exercício físico que praticou. Conseguinte?

Se tens excesso de peso e fazes (ou fazias) exercício físico, durante a tua luta com a balança, quantas vezes aconteceu pesares-te e perceberes que o teu peso em vez de baixar, na realidade aumentou e tu, ou quem te acompanha no ginásio, fez-te crer que isso refletia apenas um aumento de massa muscular?

Quando fizeste aquele esforço héculeo de cortar nos carboidratos e nas gorduras e foste 3 vezes por semana ao ginásio (por exemplo), quanto peso perdeste e por quanto tempo o mantiveste?

Com a dieta que usaste, quantas vezes tiveste vontade de ir ao armário ou ao frigorífico e comer tudo que te aparecesse à frente (se não o fizeste mesmo...)?

Sei que algumas pessoas tiveram algum sucesso com a redução dos hidratos e das gorduras. Mas por algum motivo a grande maioria volta a engordar e, muitas vezes, a agravar mais ainda a sua condição.

Outros travaram (e travam) uma batalha com a fome e as oscilações da peso são frequentes.

Temos o exemplo paradigmático de um popular concurso, o Biggest loser, em que a maioria dos participantes, após a saída do reality show, recuperaram ou aumentaram mais ainda o seu peso.

Na realidade não existe exercício nenhum que colmate uma alimentação desequilibrada ou uma alimentação baseada na mera restrição ou contagem calóricas. Se isso fosse verdade, se o nosso corpo funcionasse como uma máquina de contar calorias, quão precisos teríamos que ser na sua contabilização para equilibrar o nosso peso? O nosso corpo não é uma máquina para que possamos aplicar as leis da termodinâmica e dizer que engordamos quando consumimos mais calorias do que as que gastamos e vice-versa. AS CALORIAS NÃO SÃO TODAS IGUAIS NEM O NOSSO ORGANISMO REAGE DA MESMA FORMA DEPENDENDO DA ORIGEM DAS MESMAS.

É importante sermos ativos para melhorar inúmeros fatores relacionados com a saúde física e mental, mas se queres mesmo reduzir a gordura corporal o que vai fazer a diferença é O QUE COMES.

Para já ficamos com estas ideias chave:

- O exercício físico, por si só, NÃO É SUFICIENTE para te fazer perder massa gorda nem tem um papel importante nesse processo.
- AS CALORIAS NÃO SÃO TODAS IGUAIS, os nutrientes que as contêm desencadeiam diferentes reações no organismo e são metabolizados de forma diferente, por isso NÃO FAZ SENTIDO CONTAR CALORIAS.

No próximo post veremos que o foco na alimentação deverá estar "no que comes" e não no "quanto comes" e que também neste capítulo, as recomendações alimentares vigentes apenas promovem o alastrar da epidemia da obesidade. Vais ver que o "mau da fita" da alimentação será o teu principal aliado para conseguires alcançar o peso que desejas e sem o sacrifício da FOME.

© 2016 Fernando Fernandes, área de intervenção: Porto, Matosinhos, Maia, Gaia
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