A fome não é solução
Dando continuidade ao post anterior, procurarei contrapor a estratégia das dietas utilizadas normalmente para emagrecer, com uma abordagem totalmente diferente, mais simples de levar a cabo, mais saudável e mais eficaz relativamente à estabilização do peso corporal.
A estratégia antiga
Quando
se pretende emagrecer, e com certeza vários de vocês já o tentaram,
alguns com acompanhamento de um nutricionista ou dietista, outros com a ajuda do
google, facebook e outras plataformas da "especialidade", quais
foram as normas que seguiram? Vou tentar adivinhar.
1.
Começaste a comer menos e provavelmente de 3 em 3 horas.
2. Reduziste ao máximo o consumo de gorduras. Consumias apenas carnes magras, queijos magros, iogurtes magros, tudo magro.
3. Reduziste o consumo de hidratos de carbono. Passas-te a comer pão integral ou "escuro", cereais integrais, menos batata, menos massa, menos arroz, e tudo o que consumias deveria ter inscrito no rótulo: light e integral.
4. Além disso, traduziram-te tudo isso em calorias, de forma a que essa quantidade de energia que irias ingerir fosse inferior à que gastas.

Dadas
as regras, atiraram-te à fome, como se te dissessem: "desenrasca-te
porque se chegaste a esse ponto foi porque comeste demais, agora tens
aqui o teu castigo". Ou então usam frases muito bonitas e
motivantes, que te ajudam a ficar focado(a) no teu objetivo e a nunca
desistires, porque tu és forte e persistente... aliás quando ouves
estas frases inspiradoras, venham elas de onde vierem, já sabes que não deves
esperar nada de bom. E, na realidade, não é mesmo. É a fome, a
ansiedade, frustração, irritação e muitas outras sensações
desagradáveis que consomem quem fica faminto mas tem que ser forte e
resistir, mantendo uma estratégia que, mais cedo ou mais tarde, vai falhar.
Numa
entrevista concedida por Gary Taubes ao New York Times, que recomendo
ler na integra neste link,
destaco este excerto:
Questões como estas sobre a relação entre calorias, macronutrientes e fome têm assombrado os estudos de nutrição e obesidade desde o final dos anos 1940. Mas raramente são feitas. Acreditamos assim, na lógica de comer menos, movimentar-se mais, e que nós (pelo menos aqueles que são magros) implicitamente culpamos os obesos pelos fracassos em seguir um regime de restrição calórica, sem nunca nos perguntarmos se nós mesmos poderíamos segui-lo também. Tenho um colega que dedicou a sua carreira como pesquisador estudando a fome que diz: "Pedir às pessoas para comer menos, é como pedir-lhes para respirar menos. Parece razoável, mas não esperemos que elas façam isto por muito tempo".
Portanto,
passar fome e contar calorias não é a melhor estratégia
para perder massa gorda, nem o nosso corpo é uma máquina de as
contabilizar. Não funcionamos sujeitos às leis da termo-dinâmica em que
teremos que equilibrar as calorias que entram e as que saem. Além
de ser um método insustentável, é também muito pouco eficaz, quer
pelos resultados que induz, quer pela pressão que coloca no sujeito pelo desconforto provocado pela fome.
Então o que está mal?
Existem
dois problemas principais no método normalmente prescrito e recomendado:
1.
A restrição das GORDURAS, um macronutriente responsável pela
saciedade e uma fonte de energia indispensável ao nosso organismo
(entre outras características benéficas ao sistema cardiovascular).
2.
O consumo de alimentos ricos em açúcares e amido que, apesar de em menor quantidade, continuas a consumir provocando
constantemente picos de insulina e, consequentemente, a fome pouco
tempo após a sua ingestão.
Qual é então a solução?
A
solução, ao contrário do que possas pensar, é muito simples: passa por aumentarmos o consumo de
gorduras.
Dito assim parece estranho, dada a forma como fomos formatados pela "propaganda" que diaboliza as gorduras saudáveis e que, curiosamente, promove constantemente as mais prejudiciais, mas é verdade.
Devemos ingerir, sem preocupação, as gorduras presentes naturalmente nos alimentos (carnes, peixes, frutos oleaginosos, manteiga, laticínios fermentados) e eliminar as refinadas e hidrogenadas (óleos refinados de soja, girassol, milho, margarinas) essas sim as más gorduras.
Relativamente ao consumo dos hidratos de carbono, podes comer todos, exceto açúcares; alimentos ricos em amido como cereais, grãos e leguminosas.
Já releram vezes suficientes?
Sei que sim e já ouço as perguntas: "e onde está o
pão, o arroz, a massa, as batatas?".
Aqui não está, mas se quiseres ver todos ao mesmo tempo e naquilo em que se transformam, vamos fazer uma experiência:
- Primeiro despe-te (certifica-te que estás num local com privacidade, não faças isso no local de trabalho ou em público);
- Agora dirige-te a um sítio onde exista um espelho, de preferência grande;
- Olha para ti de vários ângulos;
- Aquilo que vês e não gostas é onde se alojou o pão, o arroz, as massas, os cereais, os açúcares...

Esses
produtos "engordantes" (até já falo espanhol...) e presentes em
grande escala nas recomendações feitas por (a maioria) médicos,
nutricionistas, dietistas são os responsáveis pela estado a que
chegámos e pelo constante agravamento do mesmo. Chegou a altura de
mudar de paradigma e reformular. Recomendações como as que estão
presentes na roda dos alimentos, onde cerca de 2/3 dos alimentos são
ricos em açúcares e amido, não representam equilíbrio alimentar,
pelo contrário, fomentam a acumulação de gordura. Aliado a isso
existe uma máquina de marketing que engana os consumidores com
produtos a que chamam alimentos e que vão destruindo a saúde de
quem os consome, e o mais macabro, é que atacam essencialmente as
crianças.
Resumindo
1.
A perda de massa gorda não está relacionada com nenhuma fórmula
matemática que resulta da diferença das calorias ingeridas e
gastas.
2. A atividade física tem um papel fundamental na nossa saúde e qualidade de vida. Pode ser um aliado na perda de peso mas, por si só, não é responsável pela perda de gordura. Apenas associado a uma alimentação correta será eficaz.
3. Perder massa gorda sem a tortura constante da fome passa por uma redução drástica dos alimentos ricos em açúcares e amido e o consumo das gorduras naturais presentes nos alimentos e outras gorduras saudáveis, eliminando as gorduras refinadas e hidrogenados.
O
tipo de alimentação que preconizo é, portanto, BAIXA EM
CARBOIDRATOS E ALTA EM GORDURAS, constituída por alimentos
verdadeiro, não processados, mais conhecida por LOW CARB, HIGH FAT
e, dentro destas, a DIETA PALEO.
Podes seguir os links para ver com mais detalhe esta dieta (estilo de
vida), como podes implementá-la de forma simples na tua vida,
melhorando todos os parâmetro da tua saúde e que terá como
consequência, caso tenhas excesso de peso, a perda de massa gorda.
Recomendo
a leitura do livro "Why we get fat and what to do about it"
(título em português: "Porque engordamos e o que fazer para o
evitar") de Gary Taubes. Podem procurar o ebook online, caso não
consigam posso dar uma ajudinha :)
Para os mais céticos, porque quando me deparei com esta informação também fiquei e tive que me informar e basear em fontes credíveis e independentes, deixo alguns links onde podem encontrar alguns (de muitos) artigos que fundamentam o que digo.
Neste link podem ver 54 estudos comparando dietas baixas em carboidratos (low-carb) e dietas baixas em gorduras (low-fat). Mais importante do que isso, para quem se dedica a investigar, pode ver quais os critérios para uma pesquisa baseada em altos níveis de evidência científica, recorrendo a referências bibliográficas aceitáveis.

